Nível do Lago de Sobradinho atinge 3% e deve chegar a 0% ainda em novembro

Nível do Lago de Sobradinho atinge 3% e deve chegar a 0% ainda em novembro

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por Mônia Ramos
Foto:Josélia Maria

As perspectivas não são muito boas, a cada dia a baixa vazão do Lago de Sobradinho cria uma expectativa negativa para a enfrentamento da seca na região São Francisco. Já que a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) estima que seja a maior seca dos últimos 84 anos, tempo em que a Companhia está instalada na região.

Atualmente, a prioridade não é mais a geração de energia elétrica e sim o abastecimento humano desta energia, explicou o superintendente de Operação da Companhia da Chesf, João Henrique Franklin, em coletiva de imprensa na manhã desta terça (10).

De acordo com ele, a empresa está praticando com vazão de 900m³/s autorizado pelo Ibama e pela Agência Nacional de Águas (ANA), e a partir de Sobradinho, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já recomendou reduzir a vazão para 800m³/s. “O sistema elétrico brasileiro tem outras fontes de suprimentos, como usinas térmicas e eólicas que minimizam a geração de natureza hidroelétrica, garantindo o atendimento para todos os consumidores da região Nordeste”, explica Franklin. Ainda segundo ele, a operação de redução gradativa de saída da vazão de Sobradinho é necessária. “O sentido é maximizar o nível do reservatório para assegurar o atendimento aos usuários”.

O superintendente também assegura que não há risco de racionamento ou apagão. “Nossa preocupação agora não é com a energia elétrica, mas de manter o máximo do reservatório por conta dos irrigantes, e especialmente do abastecimento humano”, disse, acrescentando que os parques de energias eólicas e térmicas hoje instaladas no Nordeste dão essa garantia. “Para quem vive das águas do são francisco, como os pescadores, eles não saberão identificar se água está passando pelo gerador ou pelas comportas, então vamos utilizar o volume de água que é bastante significativo abaixo do 0% (34 bilhões m³/s e abaixo tem 6 bilhões m³/s) o que permite a geração de energia e a vazão do lago até a Foz do São Francisco”, explica.

Volume Morto

Com a perspectiva de atingir 0% do volume útil, ou seja, volume morto, a geração de energia na usina de Sobradinho será suspensa. Mas segundo Franklin, o empreendimento permite que mesmo com comportas fechadas, sem a passagem de água, com as turbinas desligadas e sem a geração de energia, o curso natural do rio seja mantido.

Chuva na Bacia

Apesar das fortes chuvas em Minhas Gerais, elas não atingiram a nascente do rio, o que impossibilitou a chegada de água na região e consequentemente o aumento do nível d’água. “As chuvas não surtiram o efeito desejado na Bacia do São Francisco”, reforça Franklin.

Dança da Chuva

A esperança é a chegada das chuvas. De acordo com Franklin outras situações críticas já ocorreram ao longo dos 84 anos e as chuvas escassas, mas aguardadas com ansiedade, chegaram à região. “No início da década de 70, tivemos uma grande seca, em 2000 e 2001, outra grande seca, agora esse ciclo hidrológico desfavorável, porém isso é cíclico em 2006 e 2007 tivemos bastante chuvas na Bacia, com vazões bastante elevadas. O que a gente espera é que a natureza repita esses 84 anos que acompanhamos em breve tenhamos uma situação mais favorável em termos de chuvas e de níveis nos reservatórios do São Francisco”, pontua Franklin.

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