Reis e rainhas prontos para viver a majestade

Reis e rainhas prontos para viver a majestade

ReiMomoFELIPE-CarrosselGrande
Raquelle Wacemberg, da Folha de Pernambuco

Às vésperas das festividades de Momo, pessoas que passam o ano ocupadas com suas respectivas profissões começam a respirar os ares carnavalescos e pensar nos personagens em que se transformam nesta época. São reis e rainhas do Carnaval, que esperam ansiosamente pelos dias de folia. Cidadãos comuns no dia a dia, mas que transbordam majestade durante a manifestação popular de rua mais esperada do ano. É no período momesco que eles esquecem dos problemas cotidianos e se entregam às fantasias.

Morador de Jardim Brasil, em Olinda, o ator, coreógrafo e professor de dança Henrique Marinho, 25 anos, acorda, diariamente, às 7h, com a missão de dirigir um espetáculo de cultura popular que está no ar desde agosto do ano passado. Amante do teatro, Marinho trabalha com artes cênicas desde os 16 anos. Cursava Jornalismo, mas preferiu desistir para viver da música. “Parei no primeiro período. Fui fazer umas viagens a trabalho. Mas vou voltar”, antecipou. Uma pessoa comum, anônima, que teve os holofotes voltados para ele após vencer o concurso de Rei Momo do Recife, em 2015, depois de quatro anos tentando. Governou na Capital pernambucana durante todo o período momesco e o restante do ano. “É uma sensação inexplicável. Fui realmente reverenciado pelos foliões. Experiência mágica, única. Estou vivendo um sonho e não quero acordar”, disse Marinho, que sempre quis ser representante daquilo que ama.

IMPERATRIZ – “Foram sete anos para conseguir a coroa”, revelou a professora de educação física e de dança Ruanda Oliveira, 27, que foi intitulada rainha do Carnaval 2015, na mesma competição de Henrique. Ela intensificou a preparação cultural sobre a história e as tradições da festa de Momo para concorrer à corte, requisitos necessários para ganhar o concurso. “Já tinha sido princesa. Mas nada como ser a rainha”, observou Ruanda. Mãe da pequena Taína, 6 anos, ela trabalha dando aula de dança em escolas particulares, além de ter um projeto paralelo com crianças com deficiência. “Ensino maracatu para elas. É um prazer imenso”, disse.

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, comentou Ruana, nem só de glamour vive uma rainha. “Temos a força de vontade porque as apresentações nem sempre são em lugares chiques. Muitas vezes, ficamos na rua, no sol, dançando e frevando na calçada. Esse é o espírito do Carnaval. Todo mundo junto”, explicou, acrescentando que o desejo, assim que terminar o mandato de majestade, é continuar na mesma carreira.

VITALÍCIA – A aposentada Elda Ivo Viana, 77, é rainha do Maracatu Nação Porto Rico há 34 anos. “A monarquia só acaba quando eu for me encontrar com Deus”, disse Elda. É que, nesse caso, a transmissão de poder ocorre de forma hereditária. Quem assumirá o título de rainha é a filha dela, a também aposentada Edileuza Lira da Silva, 59. Nas horas vagas, dedica-se ao trabalho de costura, além de ser mãe de santo. “É um trabalho árduo que ocupa muito meu tempo.”

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar