Arma na mão’ não livrou Bolsonaro de facada, diz Marina na Bahia

Arma na mão’ não livrou Bolsonaro de facada, diz Marina na Bahia

Marina Silva realiza caminhada em São Paulo – Marcelo Chello/Agência O Globo/08-09-2018

POR AMANDA ALMEIDA

Cumprindo agenda de campanha em Salvador nesta segunda-feira, a candidata da Rede à Presidência, Marina Silva, defendeu o Estatuto do Desarmamento, alvo constante da bancada da bala no Congresso. Para Marina, o atentado contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na última quinta-feira, é um exemplo de que “uma arma na mão” não vai “proteger as pessoas”. Afinal, nem mesmo o “forte aparato de segurança” da Polícia Federal (PF) e da Polícia Militar (PM) conseguiram evitar o atentado.

A agenda em Salvador é considerada estratégica para a candidata da Rede. Em 2014, ela foi a segunda mais bem votada na Bahia no primeiro turno da eleição presidencial. Ficou atrás da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas à frente de Aécio Neves (PSDB), que terminou a corrida em segundo lugar.

Ela defendeu um trabalho integrado entre municípios, estados e governo federal na área de segurança pública. Disse que é fundamental o pagamento de salários justos às polícias e a capacitação continuada.

Questionada sobre a dificuldade de confrontar o discurso de Bolsonaro, na liderança das pesquisas, com a defesa de armas, Marina disse que fará a campanha pautada na “verdade” e emendou em críticas contra a violência nas disputas políticas.

— Em 2014, foi a violência política, da mentira, da agressão, da desconstrução da biografia. Em 2018, está sendo a violência de fato. Já assassinaram a (vereadora) Marielle (Franco). Tentaram, com tiros contra a caravana do ex-presidente Lula e o acampamento de seus militantes. E, agora, uma faca atentando a vida do Bolsonaro. Já descobrimos, na prática, que é uma ilusão achar que violência política ou violência de fato resolve qualquer coisa. O que resolve é amor no coração e respeito às outras pessoas, mesmo que a gente tenha diferença em relação a elas — respondeu.

— Minha mãe morava no meio da floresta, com meu pai e sete filhos. Vivíamos num regime de semiescravidão. (…) Minha mãe, para ajudar meu pai pagar a conta, mandou que a gente ajudasse a cortar seringa. A gente andava em média 14 quilômetros por dia na floresta. Eu ia com uma irmã mais nova por uma estrada de seringa. Minha irmã mais velha com outra irmã, por outra. E meu pai, outra estrada. E minha mãe tinha medo de estupro. Ela achava que se minha irmã mais velha, que era mocinha, carregasse uma espingarda, que, na maioria das vezes, não tinha cartuchos, poderia dissuadir alguém de fazer alguma violência contra a minha irmã. Eu quero ser presidente da República para que nenhuma mãe tenha que se iludir que uma arma sem cartucho pode dissuadir um agressor — comentou.

Ainda na entrevista, ao ser questionada sobre sua capacidade de liderança, ela fez mais um aceno para as mulheres, apontadas pelas pesquisas como principal calo para Bolsonaro. Disse que tem uma “visão de liderança do século 21”, construída pela capacidade de diálogo.

— Tenho liderança do feminino. (…) As mulheres têm mais facilidade de compartilhar a autoria do que fazem. (…) Quero convidar a todas as mulheres brasileiras a contribuir para que a gente possa unir o Brasil. O país dividido não nos leva a nada. (…) Quero ser presidente da República para que nenhuma mulher seja subestimada, para que ninguém diga que a gente não pode, a gente não sabe, a gente não é. A gente sabe, a gente pode, a gente é. Mas de uma forma diferente — disse.

— Mas quando alguém já está preso, pagando pelos seus erros, numa democracia, a gente não fica tripudiando do preso. Houve uma condenação em segunda instancia. Precisamos acabar com dois pesos e duas medidas. Quem cometeu erro e está pagando, já está pagando. Não precisamos ficar tripudiando. Agora, vamos olhar para os que estão extravasando os dentes, rindo da cara da população brasileira, como é o caso do Michel Temer, dentro do Palácio do Planalto, como é o caso do Moreira Franco, como é o caso do (Eliseu) Padilha, como é o caso do Aécio (Neves), como é o caso do Renan (Calheiros), como é o caso do (Romero) Jucá — disse.

Ao citar essa série de políticos, ela defendeu o fim do foro privilegiado. E disse que, se eleita, pregará também pela criminalização do caixa dois e o fim da reeleição para presidente da República, governadores, prefeitos. Ela também é a favor que haja uma limitação de apenas dois mandatos consecutivos no Poder Legislativo.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/arma-na-mao-nao-livrou-bolsonaro-de-facada-diz-marina-na-bahia-23056075#ixzz5QlKXtkfy
stest

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar