100 ANOS DE ZÉ PEREIRA O BONECO MAIS ANTIGO DO CARNAVAL DO BRASIL

Postado em 9 de fevereiro de 2019 por Josélia Maria

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Vivas para o Zé Pereira, Padre Norberto, Gumercindo ,Nenzinha Pires e o povo belemita. !

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“O Senhor Gumercindo se inspirou nas histórias contadas sobre a terra natal do primeiro pároco desta cidade, o belga Padre Norberto Phalempim. Esse padre relatava, com freqüência, os festejos religiosos daquela sua terra tão distante e falava a respeito de grandes figuras humanas bíblicas as quais acompanhavam as procissões, com a finalidade de atrair fiéis para os rituais litúrgicos. E, assim, o folião apaixonado, Gumercindo Pires de Carvalho, que ouvia atentamente as informações do Padre Norberto, teve a grande idéia de introduzir essas figuras no carnaval belemita. Ele sonhava com uma forma de avivar os festejos carnavalescos da pequena cidade. Juntamente com seus amigos e com a ajuda de sua tia Almerinda Benquerida do Amor Divino, mais conhecida como Nenzinha, que dominava a técnica de papel machê, moldaram e confeccionaram uma imensa cabeça com aspecto humano, dando-lhe um corpo de madeira, com roupas coloridas. Assim, ficou pronta a primeira alegoria.

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O segundo passo, era dá-lhe um nome, então veio a lembrança de um português chamado José Pereira que, na época do Império, na cidade do Rio de Janeiro, teria introduzido o hábito de animar a folia carnavalesca ao som de zabumbas e tambores, percutidos em passeata pelas ruas. Portanto, em sua homenagem, o grande feito recebeu o nome de Zé Pereira e estréia no carnaval de 1919, fazendo crescer a animação dos belemitas. Foi uma grande alegria, pois era uma novidade para uma cidade que começava dar os seus primeiros passos, em busca do seu desenvolvimento.
Dez anos depois, criaram a Vitalina, pois faltava algo para completar aquela animação. Foi quando decidiram dar uma companheira ao Zé Pereira, surgindo, assim, Vitalina que, com Zé Pereira, formou o casal mais popular do carnaval belemita.
O Sr. Gumercindo idealizou, também, uma encenação para recepcionar Zé Pereira e Vitalina. Na sexta-feira, por volta das sete horas da noite uma multidão aguardava a chegada do casal, que vinha da Bahia, isto é, das “Oropas”, de barco, pelo Rio São Francisco, como convidados especiais da sociedade belemita, para os dias de folia.
Daí em diante, Zé Pereira e Vitalina comandam a festa pelas ruas da cidade, tornando-se tradição, todos os anos, na sexta-feira de carnaval, à noite de Belém já não pode faltar, a recepção a Zé Pereira e a Vitalina. Essa recepção continua sendo o marco oficial da abertura do carnaval belemita. O casal Zé Pereira e Vitalina conquistou o carinho não só do povo belemita, como também das pessoas de outras cidades”.

Arquivo: Marlindo Pires

Professor,Historiador e Artista Plástico




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