Baque Opará - Prévia Carnavalesca 2020 | Blog da JoséliaBlog da Josélia

Baque Opará – Prévia Carnavalesca 2020

Postado em 14 de fevereiro de 2020 por Josélia Maria

Com maior formação em 12 anos, Baque Opará faz cortejo sobre ancestralidade afroindígena no dia 15 de fevereiro

A Prévia Carnavalesca de 2020 traz como temática “Nossa ancestralidade pulsa, produz alegria, resiste”, e será levada, às ruas, pelo grupo percussivo de maracatu, no dia 15 de fevereiro, com 80 integrantes, figurino de estampa personalizada e trajeto que passará pela Petrolina Antiga.

Um enredo de séculos

Há 12 anos, nas ruas, avenidas e praças, as prévias carnavalescas do Baque Opará já podem ser consideradas uma tradição no calendário festivo da região do Médio Vale do São Francisco. Neste ano, o cortejo traz o baque-enredo: “Nossa ancestralidade pulsa, produz alegria, resiste”, faz reverência, com respeito e humildade, aos povos originários do Brasil: os negros e índios que lutaram e lutam para dar sentido às suas vidas e territórios.

Para a seleção do tema, o coletivo passou por uma consulta com Elka Pankará, representante da tribo pernambucana dos Pankarás, para desenvolver um enredo que respeitasse os símbolos e tradições dos povos indígenas brasileiros. Além disso, houve um processo extensivo de diálogos com integrantes afro-brasileiros do grupo para também chegar a uma forma ideal de exaltar a cultura afro sem incorrer em qualquer descaracterização.

A intenção é que o coletivo passeie em cortejo pelas ruas do centro petrolinense, levando uma explosão de alegria arrebatadora e reconhecimento das raízes e demandas de um Brasil plural que resiste em sua diversidade, cultura e lutas centenárias!

A maior formação em 12 anos

Este ano, o grupo traz a sua maior formação desde que foi criado em 2008. Ao todo, serão 80 integrantes a se apresentarem nas ruas e avenidas: 29 alfaias (tambores), 22 agbês (cabaça com miçangas), 13 agogôs (sinos), 09 caixas, 04 timbales e 03 ganzás (chocalho cilíndrico de metal).

Esse número de integrantes se constituiu a partir de um trabalho diário, incansável e voluntário dos Grupos de Trabalho (GTs), que buscam formatos e ideias para trazer novos integrantes e depois facilitar o engajamento das pessoas na formação de um corpo vibrátil e coletivo, que se dedique aos ensaios durante todo o ano para, então, chegar na culminância das atividades do grupo, sendo a principal, a prévia carnavalesca.

A beleza e (a) respeito do figurino

Inspirados pela temática, os integrantes do Baque criaram uma estampa exclusiva para o traje deste ano. De acordo com o coletivo, “para a escolha do figurino do Carnaval Baqueano, de 2020, fomos tomados pelo desejo de homenagear nossos ancestrais negros e indígenas; nossas raízes e símbolos trazidos por eles, em suas lutas e festas centenárias, até a contemporaneidade”, afirma.

Para desenvolver a estampa, os integrantes estudaram a história e os símbolos constitutivos dos povos originários. Também, foi realizado um pedido coletivo de agó (licença/permissão). Assim, o Baque Opará pretende reverenciar, em seu cortejo, tais elementos tradicionais, misturando as suas cores – o amarelo que reluz e o azul que afaga – em um manifesto de alegria, resistência e pulsão. As formas geométricas são comuns a ambas as culturas, africana e indígena, e a planta é a macambira: nativa, resistente, e facilmente encontrada na caatinga.

Trajeto memorável

Para este ano, o trajeto do cortejo foi ampliado e terá, à frente, o Balé Afro Orí Benní. O novo caminho foi pensado a partir de reflexões sobre a memória e história de Petrolina. O itinerário se estenderá por cerca de 1km, no qual o grupo tocará por algumas ruas e edificações que marcaram a fundação da cidade.

A concentração começará a partir das 15h30, em frente ao Café de Bule, na Rua Antônio Santana Filho, Centro, com participação da DJ Lizandra. Depois, o cortejo seguirá para a Av. Souza Filho, passará pela Petrolina Antiga, chegando à Praça da 21 de Setembro, onde a festa continua com a apresentação do Baque Opará Banda, DJ Sandrinha e outras atrações convidadas. A expectativa é a de que as festividades aconteçam até às duas horas da madrugada, do dia 16 de fevereiro.

Sobre o Baque Opará:

Fundado em 2008, por Barbara Cabral e Luciana Florintino, o Baque Opará tem o compromisso de divulgar os ritmos populares de nossa cultura no sertão do Submédio São Francisco. O repertório do Baque tem fonte na matriz africana e influência brasileira, especialmente, nordestina. O grupo traz em suas apresentações o Maracatu, Afoxé, Samba, Coco, Ciranda, Samba-reggae e Funk.

O nome é uma homenagem ao Rio São Francisco: “Baque” vem de “batuque”, enquanto “Opará” significa Rio-Mar, nome dado ao Velho Chico pelo povo indígena Truká. Assim, há 12 anos, o coletivo percorre as ruas da região ecoando seu grito de guerra “Opará: batuque do rio que é mar”. Atualmente, o coletivo é composto, em sua maioria, por estudantes, professores, profissionais liberais, funcionários privados e servidores públicos.




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