” Mulheres Enfrentam Barreiras Para Ingressar no Mundo da Política”

Postado em 19 de junho de 2017 por Josélia Maria

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No Congresso Nacional, assembleias estaduais e câmaras municipais elas são minoria. Com menos de 10% de inserção nos parlamentos brasileiros, as mulheres enfrentam barreiras para ingressar no mundo da política proporcional. E igual dificuldade para sobreviver nele: assim como em outros setores da sociedade, as senadoras, deputadas e vereadoras de todo o País, também encaram o peso de um sistema político-eleitoral machista, que se reflete nos seus cotidianos, e que as obriga a ter muito jogo de cintura e pulso para superar os obstáculos diários, em um universo predominantemente masculino.

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Na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), por exemplo, as mulheres são sete de um total de 49 deputados. Não bastasse a baixa representação, a dificuldade se faz sentir em diversas nuances, inclusive em questões mínimas, estruturais, básicas, como um banheiro exclusivo para elas, que no atual plenário da Alepe inexiste. “O problema do banheiro é antigo. Há anos reivindicamos ao presidente Guilherme Uchoa, que justifica sua ausência, pelo fato do atual prédio ser tombado”, diz a petista Teresa Leitão, que esclarece: as deputadas usam o espaço destinado às visitantes e funcionárias. Com a inauguração do novo plenário, marcado para agosto, a construção de uma toilete para as parlamentares está prometida.

Mas se a ausência de um banheiro próprio é constatada, e virou até uma espécie de “folclore”, em questões mais sérias, como a composição da mesa diretora, o assunto assume ares de guerra. Em toda a história da Alepe, houve apenas uma titular do espaço nobre, a deputada Adalgisa Cavalcanti, que legislou na década de 1940.

Atualmente, Socorro Pimentel (PSL) participa do espaço, mas como suplente. O projeto apresentado em 2015 pela então deputada Raquel Lyra (PSDB) para garantir uma mulher na mesa não encontra amparo e jamais foi levado ao plenário. Elas evitam falar abertamente, mas em reserva, contam que os deputados homens já avisaram: se ele for apresentado, será derrubado.

“Certa ocasião, um deputado me chamou para compor a mesa num evento, para “florir” e não discutir o assunto”, relata Simone Santana (PSB), presidente da Comissão da Mulher. Ela diz que na Casa Joaquim Nabuco, as deputadas sofrem dificuldades, até mesmo, para debater assuntos estratégicos. “O machismo é muito arragaido. Sofremos preconceito até para debater economia. É como se a mulher não soubessse discutir temas relevantes”, diz.

Por esse motivo, a socialista intensificou a agenda da comissão itinerante da mulher. Nela, as deputadas vão aos municípios para debater com as lideranças femininas, a fim de trazer demandas para a Casa Legislativa. No segundo semestre, Simone deverá deflagrar o projeto “Mulheres na Tribuna – Adalgisa Cavalcanti” – que visa levá-las à Alepe, a fim de capacitá-las.

Um jeito de driblar o paredão machista? A aspirante no Parlamento, Roberta Arraes (PSB) defende o empoderamento para mudar o cenário adverso. “Temos que expandir e incentivar as mulheres a participaram da política”. Em um tom mais crítico, a deputada Laura Gomes (PSB) questiona os partidos e defende mais atenção na formação política dos quadros femininos, no que é acompanhada por Terezinha Nunes (PSDB).

Líder do governo, Isaltino Nascimento – um dos poucos a integrar a Comissão da Mulher na Casa – reconhece: ” Infelizmente, o preconceito é uma realidade. Velado e diferente de antes, mas presente”.




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