Osvaldo Coelho pede renegociação de operação de crédito ao Banco Central

Osvaldo Coelho pede renegociação de operação de crédito ao Banco Central

Osvaldo

Ao Presidente do Banco Central

Dr. Alexandre Antonio Tombini

Assunto: “Autoriza a renegociação de operações de créditos contratadas ao amparo de recursos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro- Oeste (FCO) Nordestes ( FNE) e Norte (FNO)”. 

Já esta passando da hora do governo federal entender que os desiguais precisam ser tratados desigualmente. De acordo com estudo da EMBRAPA, de feijão, colhe-se  dois mil quilos de grãos por hectares, enquanto no sudoeste são 25.000 ( Vinte e cinco ) mil quilos. O Paraná, em um hectare de milho produz dez toneladas por safra , em dez anos , cem toneladas. No semiárido, no mesmo período, são três mil e trezentos quilos, ou seja, três toneladas e trezentos quilos por safra.

Para cada dez anos, o semiárido tem três boas colheitas, de trezentos e oitenta quilos /hectares. Em cinco anos, colhem-se cento e noventa e cinco quilos, e em três anos a produção ainda é zero. Existem ainda, lugares a exemplo de Mairi  Bahia que a seca chega a seis anos consecutivos e a água do subsolo é salobra, inútil para o consumo humano e animal. Segundo dados da Embrapa semiárido, de 2011 à 2013, existe um acúmulo de chuvas de 790,5mm. A média desses últimos três anos é de 263,5mm.

  Outro exemplo grave de nossa realidade é que o nordeste concentra a maior taxa de analfabetos do pais; são 18,7%, enquanto a media nacional é 9%; no sul , 5%. No semiárido não existem números precisos, admite- se chegar 35%. Este é o retrato, a radiografia do semiárido brasileiro.

O presidente do Banco do Nordeste, em reunião com o da SUDENE, em novembro de 2011, declarou que os juros cobrados nesta região são impagáveis, e que os empréstimos incobráveis. Estes passivos continua sem solução e atormenta a vida do sertanejo, além da seca que fechou três anos consecutivos. A última decisão do Conselho Monetário Nacional ao deliberar sobre o programa não é sensata, por que não se debruça na realidade do semiárido.

Nestas três secas encadeadas, das porteiras da fazenda semiárida nada saiu, somente entrou; salário para pagar o trabalhador; ração para o gado; sal mineral; vermífugo; preço da gestão e despesas administrativas.

Se esta realidade for verdadeiramente enfrentada, a única atitude é facilitar o pagamento das dívidas acumuladas. Propagam que existem, grandes produtores no semiárido. Esta é uma nomenclatura de gabinete de Brasília. Conceito deturpado porque nós somos cercados é de grandes dificuldades, grande escassez de água, grandes secas.

Neste momento o Banco Central estabelece uma resolução chamada de “Facilidade de Dívida Acumulada” com juros de 8,7%. Não dá para entender esta situação de jeito nenhum! Outro dia o Banco do Nordeste tinha juros de 2% para os devedores, agora é 8,7%.

Quero fazer um apelo a uma maior sensatez do Governo Federal, para que analise as atuais condições que permitam o pagamento das dívidas. Não estou pedindo que o pagamento não seja efetuado. Peço-lhes para que sejam oferecidas condições de pagamentos favoráveis. Quando a seca vem devora a plantação do pequeno, do médio e do grande produtor rural. É perversa para todos. Por que tantas diferenças? Esse anúncio de dez por cento, com um ano de carência e dez anos para pagamento não combina com a realidade do semiárido.

 

                                      “Lutar contra a injustiça é um dever de todos.”

Osvaldo Coelho foi Deputado Federal por 11 legislatura (DEM Pernambuco) 83 anos.  

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