Polícia busca atiradores ao norte de Paris; nove são presos

Polícia busca atiradores ao norte de Paris; nove são presos

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Uma grande operação policial está sendo realizada no nordeste de Paris para localizar os principais suspeitos do ataque à revista satírica Charlie Hebdo na quarta-feira.

Policiais estão vasculhando áreas próximas à cidade de Villers-Cotterêts, onde dois homens fortemente armados teriam roubado um posto de gasolina.

O vilarejo de Longpont foi cercado durante as buscas pelos irmãos, Cherif e Said Kouachi, suspeitos de serem os autores do atentado contra o semanário.

A França decretou nesta quinta-feira dia de luto nacional pelas 12 vítimas.

Em um outro desdobramento das investigações, nove pessoas ligadas aos irmãos Kouachi foram detidas nas cidades de Reims e Charleville-Mézières, assim como na região de Paris, disse o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve.

O ataque também deixou 11 feridos, quatro em estado grave.

Mais cedo, uma policial foi morta a tiros em Montrouge, ao sul de Paris, mas policiais afirmaram que não há ligação entre a morte e o ataque a Charlie Hebdo. O suspeito deste ataque, armado com uma metralhadora e uma pistola, também está foragido.

Cerca de 88 mil policiais e militares foram dispostos por todo o país para encontrar os autores do ataque, informou Cazeneuve.

Segundo a imprensa francesa, os policiais já deixaram os arredores de Longpont, onde, durante todo o dia, vasculharam casas e uma floresta próxima em busca dos atiradores.

Nesta quinta-feira, vigílias em memória das vítimas voltaram a ser realizadas por toda a França. Milhares de pessoas se reuniram novamente na Place de La République (Praça da República) em Paris, acendendo velas e segurando cartazes com os dizeres “Je suis Charlie” (“Eu sou Charlie”).

Às 20h locais (17h de Brasília), a Torre Eiffel desligou as luzes em homenagem aos mortos.

Mais cedo, um minuto de silêncio foi feito em lugares públicos. Do lado de fora da sede da Charlie Hebdo, 20 imãs se juntaram a centenas de pessoas para expressar solidariedade pelas vítimas.

Em Nova York, os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU também realizaram um minuto de silêncio.

Mais tarde, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez uma visita surpresa à embaixada da França em Washington e assinou um livro de condolências em memória das vítimas.

Ataques a mesquitas
Na sequência do atentado, a França também registrou uma série de ataques a locais destinados ao culto do islamismo.

Disparos foram feitos contra uma sala de oração muçulmana em Aude, no sul da França. Vândalos também atacaram uma mesquita em Poitiers, na região central da França.

Cazeneuve disse que não toleraria qualquer ato ou ameaça “contra locais de reza ou qualquer manifestação hostil contra os franceses por causa de sua origem ou religião”.

Dois homens com características semelhantes aos irmãos Kouachi teriam sido vistos em um posto de gasolina em Villiers-Cotterêts, a 80 km no nordeste de Paris. O gerente do posto descreveu os dois homens como fortemente armados com Kalashnikovs e lançadores de granada.

Leia mais: Charlie Hebdo: sátiras escrachadas são marca de revista atacada

Eles foram vistos pela última vez dirigindo um Renault Clio, aparentemente o mesmo veículo roubado em Paris pouco depois do ataque à revista.

Um terceiro homem que era inicialmente procurado pela polícia se entregou na cidade de Charleville-Mézières na noite de quarta-feira. Ainda não se sabe se ele é considerado suspeito.

Cherif Kouachi foi condenado em 2008 a três anos de prisão por ter ajudado a enviar combatentes jihadistas ao Iraque.

O advogado da Charlie Hebdo, Richard Malka, disse que a edição da revista na semana que vem circularia na quarta-feira e teria uma tiragem de 1 milhão de exemplares, em vez dos usuais 60 mil.

Testemunhas afirmam que os atiradores gritaram “Nós vingamos o profeta Maomé” e “Deus é grande” em árabe.

O escritório da revista foi alvo de um ataque a bomba em 2011. O semanário causou a ira de alguns muçulmanos por publicar charges do profeta Maomé como parte de sua irreverente cobertura do noticiário. Segundo o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, qualquer representação de Maomé é proibida.

Políticos e jornalistas ao redor do mundo classificaram o atentado contra a Charlie Hebdo como um ataque à liberdade de expressão e à imprensa.

(BBC-Brasil)

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