“Não é hora de ter medo, é hora de ter coragem”, diz líder do PSB

“Não é hora de ter medo, é hora de ter coragem”, diz líder do PSB

“O sentimento que domina a nós do PSB não é de alegria, muito menos de revanche; é de preocupação e de frustração com o País.” Com estas palavras, o líder do Partido Socialista Brasileiro na Câmara dos Deputados, Fernando Coelho Filho (PE), traduziu a postura da legenda na sessão de votação de admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, neste domingo (17).

Filiado ao Partido há mais de dez anos, o parlamentar de 32 anos, que comanda o colegiado na Casa pelo segundo ano consecutivo, lembrou que o PSB foi parceiro no projeto de transformação que tinha como objetivo levar mais justiça social e desenvolvimento para o País. A legenda foi solidária e leal em difíceis momentos atravessados ao longo de quase 11 anos de Governo, ao ponto de abrir mão da iniciativa de lançar candidatura própria à Presidência da República, em 2010. E, fiel ao compromisso da construção de um Brasil mais justo, como afirmou Fernando Filho, o PSB alertou “quando os indicadores econômicos e a política econômica já prenunciava o desastre que hoje estamos vivendo”.

O líder socialista destacou que “o Brasil está mergulhado em graves crises: crise política, crise ética, crise social”. Avaliou, ainda, que “a presidente perdeu a autoridade e a credibilidade para liderar uma agenda mínima para tirar o País dessa situação”.

Diante deste cenário, reforçou que a decisão tomada neste domingo sirva para resgatar a autoestima, a confiança e a esperança do povo brasileiro em um País melhor. “Não é hora de ter medo; é hora de ter coragem e é, por isso, que dizemos sim ao impeachment e sim ao Brasil”, proclamou.

Confira a seguir a íntegra do discurso do líder socialista Fernando Coelho Filho.

Subo a essa tribuna para a fala mais importante que já fiz nesta Casa. Que minhas primeiras palavras sejam de agradecimento a minha querida Petrolina, ao sertão do meu Estado, ao Estado de Pernambuco, de agradecimento à minha bancada, à bancada do meu Partido, que me distinguiu com a posição de líder para este ano.
Meu partido PSB, meu partido há mais de dez anos, do qual tenho orgulho da sua história, da sua trajetória, de sua luta e de conquistas por um país mais igual, por um país mais equilibrado e por um país mais justo. PSB de Mangabeira, de Jamil Haddad, de Miguel Arraes, do meu presidente Eduardo Campos.
Eu subo a esta tribuna não só pra falar pelos sertanejos e pelos pernambucanos. Falo em nome do meu Partido.

O sentimento que domina a nós do PSB não é de alegria, muito menos de revanche. É de preocupação e de frustração com o País.

Digo isso porque fomos parceiros de um projeto de transformação para o Brasil. Colaboramos e fizemos parte, durante quase 11 anos, desse projeto. Fomos solidários do momento difícil desse Governo, logo no início. Abrimos mão de candidatura própria, no ano de 2010, mas também fomos corretos, fomos leais. Alertamos quando os indicadores econômicos e a política econômica que colocava sobre o País já prenunciava o desastre que hoje estamos vivendo.

Formos às urnas em 2014. Divergimos no voto. Tivemos mais de 20 milhões de votos e hoje vemos um País com mais de 10 milhões de desempregados. Milhares de pernambucanos do meu Estado, que estão nos assistindo, esperando da política uma solução. Pode não ser a solução ideal, mas é a solução legal, prevista, constitucional, e, por isso, a mais adequada no momento.

O Brasil está mergulhado em graves crises: crise política, crise ética, crise social.

E por isso eu devo dizer a vocês, com a responsabilidade e seriedade que exige o momento, tenho muito respeito á figura da senhora presidente da República, mas devo dizer que a presidente perdeu a autoridade e a credibilidade para liderar uma agenda mínima para que possa tirar o País dessa situação.

Não alimento ilusões. Vivemos tempos de muitas dificuldades e muitas turbulências. Que a decisão desta Casa, nesta tarde histórica de domingo, signifique aos milhões de brasileiros que estão nos assistindo, uma decisão para resgatar a autoestima, uma decisão para resgatar a confiança, mas, acima de tudo, uma decisão para reanimar a esperança do povo brasileiro de um país melhor.

Que Deus possa nos iluminar. Não é hora de ter medo, é hora de ter coragem e é por isso que dizemos sim ao impeachment e sim ao Brasil! 

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