MEDO
Na lente sensível de Cláudio Renato, a esquina deixa de ser apenas um cruzamento de ruas e se transforma em território de silêncio e tensão.
Ali, onde o dia ainda respira e a noite já ameaça chegar, o medo se instala sem pedir licença. Ele não tem rosto, mas se revela nos olhares apressados, nos passos contidos, no corpo que hesita antes de atravessar.
A fotografia captura mais que a imagem — registra o instante em que a coragem disputa espaço com a insegurança. Um poste ilumina parcialmente a cena, criando sombras que parecem maiores do que realmente são. E talvez sejam.
Porque o medo não está apenas na esquina.
Ele mora dentro de quem passa por ela.
E, ainda assim, alguém segue. Mesmo com o coração acelerado, mesmo com o pensamento em alerta. Porque viver, às vezes, é isso: atravessar esquinas carregando coragem no lugar onde o medo insiste em ficar.











