Ancestralidade, samba e resistência: o protagonismo dos blocos afro e de matriz africana na abertura do Circuito Osmar 2026

Por Joselia Maria 13 fev 2026
O primeiro dia oficial do Carnaval de Salvador 2026 no Circuito Osmar (Campo Grande) e em suas adjacências no Centro Histórico foi marcado por um profundo mergulho na ancestralidade e na resistência negra, viabilizado pelo apoio recorde do Programa Ouro Negro. A folia começou com a força do Bloco do Reggae – Alzira do Conforto, que partiu do Pelourinho em direção ao Campo Grande celebrando os 50 anos da libertação de Angola. Com nomes como Adão Negro e Tulani Masai no trio, o desfile uniu música e identidade visual através de bonecões e pernas de pau. Na mesma vibração de fé, o Afoxé Dança Bahia ocupou o trecho entre a Praça Municipal e a Castro Alves com o tema “Rum pi lé Gan”, uma homenagem aos atabaques sagrados do candomblé, conduzida pelo Mestre Macumba e integrando jovens capoeiristas da comunidade de São Marcos.
O samba, grande protagonista do circuito este ano, brilhou intensamente com o Bloco Alerta Geral, que celebrou os 110 anos do gênero com o tema “A Rota do Samba”. O desfile foi um tributo emocionante ao ícone Arlindo Cruz, falecido em 2025, e contou com a presença de seu filho Arlindinho e do grupo Fundo de Quintal. Ainda sob a égide da emoção e da tradição, o Bloco Fogueirão Samba de Roda levou para a avenida o tema “Mães do Samba: Guardiãs da Cultura Ancestral”. Fundada por Jorge Fogueirão, a agremiação reverenciou as matriarcas do Samba Junino e do Recôncavo, transformando o asfalto em um território de afeto e memória que uniu gerações de famílias sambistas.