Baile do Menino Deus marca a estreia da cantora Joyce Alane no palco do Marco Zero

Por Joselia Maria 17 dez 2025

Indicada ao Grammy Latino canta no maior espetáculo natalino do país inspirado na cultura brasileira – e edição chega ao Globoplay

O rodízio de talentos da música nacional ensejado pelo espetáculo natalino mais brasileiro do país adorna a edição de 2025 com uma voz cativante para ouvidos e corações daqui e do exterior: Joyce Alane, pernambucana finalista do Grammy Latino deste ano pelo trabalho no álbum Casa Coração e indicada como revelação no Prêmio Multishow. A cantora e compositora está confirmada no elenco do “Baile do Menino Deus: Uma Brincadeira de Natal”, encenação prestigiada todos os anos por mais de 70 mil pessoas, de 23 a 25 de dezembro, no Marco Zero do Recife, e dedicada a recontar uma das passagens mais conhecidas da humanidade sob tons artísticos e culturais da brasilidade e a partir de uma leitura universal e não dogmática de celebração da vida. Em 2025, a encenação vira especial disponibilizado nacionalmente no Globoplay, no dia 27.

A pernambucana se junta à apresentação para cantar três composições do repertório clássico concebido por Zoca Madureira para a montagem escrita há mais de 40 anos por Assis Lima e Ronaldo Correia de Brito, autor e diretor da encenação realizada no maior palco ao ar livre da capital pernambucana desde 2004. As músicas “Beija-Flor e Borboleta”, “Cigana” e “Baile do Menino Deus” pontuam trechos distintos da narrativa sobre a busca dos dois brincantes populares Mateus pela casa onde nasce o menino sagrado para realizar uma festa em tributo à renovação da vida. O caminho é atravessado por encontros com manifestações, tradições e criaturas fantásticas da cultura brasileira e permeado pela dificuldade de abrir portas – metáfora para exclusão social, inacessibilidade e segregações atemporais.

“Joyce Alane tem se destacado no cenário musical pela beleza de sua voz e presença de palco marcante. Tê-la como convidada no Baile do Menino Deus, interpretando três músicas do repertório, muito abrilhanta o espetáculo”, observa Ronaldo Correios de Brito. “Estou muito feliz de fazer parte dessa encenação. O Natal é uma data muito especial para a minha família, e muitos já foram assistir ao Baile nos anos anteriores. Esse ano vai ter um gosto especial me vendo participar”, acrescenta a cantora.

O Baile do Menino Deus cria um contraponto tropical às celebrações natalinas marcadas pelo uso de estrangeirismos de países frios – como renas, papai Noel, neve, trenós. A encenação brasileira se vale de manifestações originadas pela confluência dos povos formadores – negro, indígena e ibérico – e propõe uma trama marcada pela combinação da passagem histórica com reflexões atuais sobre inclusão, representatividade, diversidade, meio ambiente e cidadania.

A obra inspira montagens país afora, virou paradidático do MEC e tem versão em livro com mais de 700 mil exemplares de tiragem. Já deu origem a dois filmes – ambos gravados na pandemia, no teatro e nas ruas, disponíveis no YouTube – e, agora, adentra um dos maiores catálogos de plataformas de streaming, o Globoplay, com edição especial da apresentação anualmente levada ao Marco Zero do Recife, onde é acompanhada por 70 mil pessoas em três dias..

O rodízio de talentos musicais é uma das principais características do Baile. Pelo palco do espetáculo, já passaram nomes como Elba Ramalho, Chico Cesar, Tizumba, Lia de Itamaracá, Maestro Spok, entre outros. A participação de Joyce Alane renova essa aptidão para acolher nomes consagrados ou em ascensão da musicalidade brasileira e consolidar a conexão entre elementos estabelecidos da arte – do maracatu ao caboclinho, do frevo ao reisado – e a sonoridade atual, a exemplo do hip hop.

Natural do Recife e criada em Moreno, na Região Metropolitana, Joyce Alane tem despontado na paisagem musical através da voz potente e da verve criativa expressadas em shows, músicas e participações especiais. No álbum “Tudo é Minha Culpa” (2024), perpassa a sofrência com composições autorais sobre nuances de relacionamentos. Em “Casa Coração”, faz releituras de clássicos do forró com músicos consagrados, a exemplo de Lucy Alves, Zeca Baleiro, Petrúcio Amorim, Santanna, Chico César e Dorgival Dantas. O EP disputou o Grammy Latino com “Ao Vivo no CCB: Homenagem a José Mário Branco”, de Camané, “Universo da Paixão”, de Natascha Falcão, “Transespacial”, de Fitti, e “Dominguinho”, de João Gomes, Mestrinho e Jota.pê.