Colonialismo digital existe, mas a comunicação do PT também precisa se reinventar

Por Joselia Maria 26 jan 2026

O secretário de Comunicação do PT alerta para o risco de manipulação das redes sociais e denuncia o que chama de “colonialismo digital”, em nota divulgada à imprensa.

O diagnóstico é correto, mas há uma lacuna evidente: o que falta à comunicação do PT é aproximação real com quem faz comunicação na ponta — nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp, no TikTok, com youtubers, comunicadores populares, blogueiros, influenciadores comunitários e criadores independentes.

O partido investe milhões em veículos considerados tradicionais e, ao mesmo tempo, ignora quem está falando diretamente com o povo, diariamente, nos territórios digitais onde a população — especialmente a juventude — se informa, debate e forma opinião.
O resultado é uma comunicação engessada, com linguagem antiga, pouco atrativa, que não dialoga com os jovens, não engaja e não mobiliza.

Éden Valadares reafirmou que as plataformas não são imparciais e estariam alinhadas à extrema direita:
“As Big Techs não são isentas e permitem que guerras virtuais derrubem democracias, manipulando a vontade popular por meio de algoritmos que ignoram a soberania nacional. É preciso regulamentar as redes sociais para garantir que a nossa soberania não seja atropelada enquanto consolidamos nossa autonomia tecnológica.”

A afirmação é pertinente. Mas não basta regulamentar.
É fundamental democratizar também a verba da comunicação.

Sem distribuir recursos de forma mais justa — alcançando comunicadores populares, redes locais, produtores de conteúdo independentes e iniciativas comunitárias — o partido continuará falando para poucos, enquanto a extrema direita segue dominando a linguagem, o ritmo e os territórios digitais.

A disputa política hoje é também uma disputa de narrativa, e ela acontece onde o povo está.

Ignorar isso é entregar o campo de batalha.