Pernambucana Letícia Bastos exalta nordestinidade no EP “Meu Oxente”
Álbum se inspira na frase “não troco meu oxente pelo ok de ninguém”, de Ariano Suassuna, para defender respeito à identidade regional na arte brasileira
Bebe da sagacidade do escritor Ariano Suassuna a inspiração para o título e a essência do novo EP lançado pela cantora pernambucana Letícia Bastos: “Meu Oxente”. A expressão faz eco a uma frase famosa do escritor paraibano radicado no Recife proferida para demarcar o apreço pela regionalidade em contraponto à estrangeirice ostensiva da incorporação dos termos em inglês ao vocabulário nacional.
“Não troco meu oxente pelo ok de ninguém”, sapecou o autor de Auto da Compadecida. O álbum da conterrânea faz coro à valorização do universal a partir do local com músicas sobre língua, trejeitos, virtudes, características, afetos e paisagens dessa identidade sob as nuances de um pop com alma nordestina.
separações e desterros forçados.
Em “Nós Dois Perdidos”, a linguagem do amor é atualizada para as experimentações e liberdades contemporâneas, desarmadas e desamarradas, livres na forma, no conteúdo e na entrega ao hoje. A exploração do prazer se sobrepõe ao sentimentalismo para dar vazão ao agora. A música acolhe a pulsação das novas gerações, da fluidez dos envolvimentos, se conecta à era marcada pelo imediatismo das redes sociais e pela emancipação afetiva. O subtexto da composição dialoga com a possibilidade de evoluir a identidade a partir da incorporação do novo – sem descuidar da essência, da diferença, da singularidade e da tradição.
Os clipes das músicas do novo EP tem cronograma com lançamentos distribuídos nas semanas seguintes à disponibilização do álbum nas plataformas. Serão acessíveis ao público a cada sexta-feira, às 11h, no perfil da cantora no Instagram (@leticiabastos) e no canal do YouTube (youtube.com/
As duas outras composições autorais integrantes do EP foram lançadas recentemente e têm conquistado o público nas plataformas digitais. “Permita-se” carrega uma mensagem encorajadora sobre encarar desafios e persistir, tributo à perseverança de um povo resiliente e confiante em dias melhores. O clipe com 400 mil visualizações no YouTube tem locações em meio às pontes e à paisagem urbana do Recife. “A Moça de Boa Viagem” (100 mil visualizações) escala a praia famosa da capital como personagem para desenlace de uma afirmação feminina, com alusão à La Belle de Jour, de Alceu Valença, e à condição singular de uma mulher consciente da própria força, personalidade, voz. E do oxente.
TRAJETÓRIA
Letícia Bastos despontou para o cenário da música nacional com a participação no programa The Voice Brasil apresentado na Globo – ela figurou no time do sertanejo Michel Teló. A cantora lançou dois discos – Solteira de Vez (2017) e Let’s (2021) – e tem participado ativamente de ciclos da música pernambucana com shows e apresentações em períodos festivos, como carnaval e São João. Em 2025, a cantora empreendeu uma mudança na carreira e enveredou com mais incisividade pelo pop nordestino.
SERVIÇO
EP “Meu Oxente”, de Letícia Bastos
Onde: nas plataformas digitais










