Quando março esquenta, a política ferve
Tem ano que começa morno. Mas quando o calendário vira para março, o termômetro da política no Nordeste parece esquecer qualquer previsão de frente fria. Em Pernambuco e na Bahia, o clima já mudou — e não é só o verão que está dando sinal.
Na Bahia, o grupo do Jerônimo Rodrigues trabalha a engrenagem da reeleição. Fala-se em chapa “puro sangue” para o Senado, com Rui Costa e Jaques Wagner, enquanto Geraldo Júnior segue como peça mantida no tabuleiro. Do outro lado, ACM Neto do União Brasil articula , com João Roma e Angelo Coronel orbitando o Senado. É jogo grande, de xadrez pesado, onde cada movimento é calculado — e cada silêncio também.
Já em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra administra o presente pensando no futuro. Entre os nomes ventilados para o Senado estão Eduardo da Fonte e Fernando Dueire, enquanto a vice Priscila Krause permanece como porto seguro na chapa.
Mas ninguém ignora o peso político de João Campos, que surge com uma lista de nomes que faz qualquer analista puxar o caderno: Humberto Costa, Silvio Costa Filho, Marília Arraes e Miguel Coelho. É muito cacique para pouca rede — e a política não costuma acomodar todo mundo com o mesmo sorriso.
E, correndo por fora, como quem observa o movimento antes de atravessar a rua, está Anderson Ferreira. Política também é isso: timing.
No fim das contas, eleição é como feira livre em dia de sábado. Tem barulho, tem promessa, tem disputa por espaço — e tem sempre quem diga que já sabe o resultado antes mesmo da banca abrir. Mas a verdade é que, no Brasil, urna não gosta de soberba.
Março está chegando. E quando março chega, meu amigo, não é só o calor que aumenta. É a conversa nas esquinas, o café mais demorado, o telefone que toca fora de hora. Porque, no Nordeste, política não é só estratégia. É paixão.
Josélia Maria









